Na noite da última quinta-feira (14), os suecos do Roxette desembarcaram em São Paulo para a primeira de suas duas apresentações na cidade, ambas com ingressos esgotados. Comandado pela dupla de vocalistas Marie Fredriksson e Per Gessle, o Roxette começou o show por volta das 21h50. A banda cumprimentou o público e abriu o repertório com "Dressed for Success", do álbum "Look Sharp", de 89. Em seguida, "Sleeping in my Car", primeiro dos grandes hits da noite, aqueceu a plateia. A dupla tem como banda de apoio Christoffer Lundquist (guitarra), Clarence Öfwerman (teclados), Pelle Alsing (bateria), Magnus Börjeson (baixo) e Helena Josefsson (backing vocal) e está trabalhando na divulgação do álbum "Charm School", lançado em fevereiro desse ano. "The Big L" deu sequência a apresentação, e Marie Friedriksson, que se recuperou de uma faringite recente, pareceu por vezes poupar sua voz para músicas com timbres mais altos, deixando que seu tom se confundisse com os backing vocals. Já Per Gessle, com um "fun" (diversão) escrito na correia da guitarra, era só sorrisos. O também guitarrista conversava com o público e ainda se mostrou muito surpreso com os cerca de 6.900 fãs presentes na casa de shows. Apesar de bem animada, Marie, que sofreu um tumor no cerebro em 2002, cujos médicos diziam ter só 20% de chance de cura, não faz as estripulias vistas em shows antigos da banda. Em compensação, caprichou no vocal em "Things Will Never Be the Same", que com Lundquist tocando sentado, com a guitarra no colo, deixou a música como uma baladinha para dançar a dois. O primeiro grande momento da noite veio com "It Must Have Been Love", hino dos corações partidos lançado em 1987 e que chegou às paradas norte-americanas depois de ser usado na trilha sonora do filme "Uma Linda Mulher". Os fãs cantaram a música em coro afinado e fizeram com que a banda parasse para ouvi-los. O lado dançante do Roxette apareceu em "Opportunity Nox", com sintetizadores e duetos sincronizados, perfeitamente afinados --uma das principais características da dupla pop. Na sequência, Gessle assumiu o vocal em "7Twenty7", e o show seguiu com "Fading Like a Flower", com rosas jogadas no palco. Per anunciou a próxima música para "os verdadeiros fãs da banda" e tocou "Silver Blue", do álbum "Tourist", de 92, e não incluída no show de Porto Alegre. A banda engatou "How do You Do", outro ponto alto do repertório, que também deixou o público ensandecido, cantando a letra do início ao fim. O pano de fundo foi trocado por uma imagem antiga da banda e daí pra frente os hits "Dangerous" e "Joyride" encerraram a primeira parte do show. O guitarrista Lundquist fez um improviso desengonçado da canção "Brasileirinha" durante a apresentação dos músicos. O primeiro bis veio com "Watercolors in the Rain". E "Spending My Time", que fez sucesso nas rádios e novelas brasileiras, como "Na Hora de Amar", na voz dos sertanejos Cleiton e Camargo, também fez o público, emocionado, cantar junto. A banda saiu de cena novamente, e voltou com "Way Out", música que abre o novo álbum, mas não foi celebrada pelos fãs. "Listen to Your Heart", sucesso que não falta em coletâneas românticas, ressaltou a potência aguda do vocal de Marie. E o Roxette encerrou o show paulistano com "Church of Your Heart". Marie, que teve o nome ovacionado pela plateia em boa parte do show, ganhou buquês de flores no fim da apresentação. Na saída, fãs que acompanham a turnê brasileira da banda contaram que chegaram a gastar R$ 1.200 em ingressos para assistir a todas as apresentações e acreditam que essa é a última grande oportunidade de ver a banda. Cacá Neves Jr, líder de comunidades do Roxette no Facebook e Orkut, diz que o "público paulistano foi mais morno", mas que no fim "o esforço vale a pena depois de dez anos de espera". A banda ainda tem mais uma apresentação em São Paulo (19), e depois segue para o Rio de Janeiro (16) e Belo Horizonte (17). Veja as músicas tocadas pelo Roxette em São Paulo: "Dressed for Sucess" "Sleeping in My Car" "The Big L" "Wish I Could Fly" "Perfect Day" "Things Will Never be the Same" "It Must Have Been Love" "Opportunity Nox" "7Twenty7" "Fading Like a Flower" "Silver Blue" "How do You Do" "Dangerous" "Joyride" Bis 1 "Watercolors in the Rain" "Spending my Time" "The Look" Bis 2 "Way Out" "Listen to your Heart" "Church of Your Heart" Fonte :uol.com10 anos sem Joe Ramone
Dez anos. Como passa rápido. Em janeiro de 2001, eu editava um site e estava trocando e-mails diariamente com Joey Ramone. Queria que ele escrevesse uma coluna semanal para o site. A idéia era fazer uma coluna de tema livre. Joey poderia falar sobre o que quisesse. Claro que a coluna acabaria sempre em música. O cara só pensava nisso. Joey morava na rua 9, a poucos passos de St. Mark’s Place e do Bowery, no meio do burburinho alternativo de Nova York. Era a região dos clubes– Continental, Coney Island High e, claro, o CBGB’s. No bairro havia também incontáveis lojas de disco e DVDs. Joey estava em casa. Não era difícil encontrá-lo andando pela rua ou checando a Kim’s Video atrás de algum filme de terror bizarro. Ele fazia parte da paisagem local. Na época, Joey já lutava contra um linfoma. Sua saúde frágil foi uma das razões para o fim dos Ramones, cinco anos antes. O cara não agüentava mais excursionar. Depois do fim dos Ramones, ele continuou ligado à música, mas tirou o pé do acelerador. Estava cansado. Mesmo assim, fazia shows, produziu um disco de Ronnie Spector e ajudava uma banda chamada The Independents, que adorava. Fui visitá-lo algumas vezes em seu apartamento. Era um apê muito bem arrumado. Nem parecia que um punk morava ali. Nas paredes, uma coleção de pôsteres originais de shows do Fillmore: The Doors, Jimi Hendrix, Grateful Dead. Discos estavam sempre espalhados pela casa. Ele ouvia música o dia todo. Joey não gostava muito de falar do passado. Preferia conversar sobre seus projetos atuais. Mas confessou que o fim dos Ramones não tinha sido o que ele esperava. Para quem não lembra, o último show da banda rolou em Los Angeles, em 1996. E por que em Los Angeles, e não em Nova York? De fato, não fazia sentido a banda mais nova-iorquina do mundo encerrar a carreira do outro lado do país. Acontece que Johnny Ramone havia se mudado para a Califórnia, e se recusava a sair de lá. Ou era lá, ou não haveria show de despedida. Joey, que sonhava com um concerto no Madison Square Garden, teve de engolir. Não é segredo pra ninguém que Joey e Johnny não se bicavam. Eram os verdadeiros donos da banda, os dois integrantes originais que resistiram até o fim. E mal se falaram por 20 anos. Não podia existir dois caras tão diferentes: Joey era de esquerda, Johnny, de direita. Joey odiava esportes, Johnny era louco pelos Yankees. Joey era mais aberto, falava com todo mundo, enquanto Johnny era caladão e na dele. Pra piorar, a namorada de Joey o havia largado por Johnny e casado com ele. A bem da verdade, Johnny sempre foi – pelo menos comigo – um cara 100%. Era fechadão, mas quando o papo chegava em rock dos anos 60 ou filmes de terror, se abria. Era muito fã de Zé do Caixão e tinha uma coleção gigante de filmes antigos. O que ninguém sabia, na época, é que Johnny também batalhava um câncer de próstata, que o mataria em 2004. Quando os Ramones acabaram, Johnny abandonou a música: vendeu suas guitarras Mosrite (dizem que para Eddie Vedder) e passou seus últimos anos no sol californiano, ao lado de amigos como John Frusciante, Lux Interior e Poison Ivy e, acredite, Lisa-Marie Presley. Já Joey, numa manhã de janeiro, depois de uma nevasca que deixou as ruas de Nova York cobertas de gelo, correu para pegar um táxi, escorregou e tomou um tombo feio. Quebrou a bacia e foi levado para um hospital, de onde só saiu morto. Foi homenageado com um trecho de rua batizado em seu nome. A placa – Joey Ramone Place – tem o privilégio de ser o sinal público mais roubado da história da cidade de Nova York. Tanto que a prefeitura, cansada de substituí-la, mandou colocá-la a quatro metros do chão. “Agora, só jogadores da NBA conseguem ler a placa”, brincou Marky Ramone. Nem Joey, que media quase dois metros, conseguiria ler o próprio nome . Fonte :blog do André Barcinski
Nenhum comentário:
Postar um comentário