segunda-feira, 5 de março de 2012

Morre Ronnie Montrose

O lendário guitarrista estadunidense Ronnie Montrose morreu anteontem, após uma batalha de cinco anos contra o câncer de próstata. Ele tinha 64 anos.

O site oficial de Montrose foi atualizado com a seguinte mensagem:

"Há alguns meses atrás, fizemos uma festa surpresa para o aniversário de 64 anos de Ronnie Montrose. Ele fez um discurso de improviso, e nos disse que, depois de uma vida longa, cheia de alegria e sofrimento, ele valorizava o nosso amor.

Ele morreu hoje. Lutou contra um câncer, e prolongou a velhice pelo tempo que deu. E fiel à forma, ele escolheu sua saída do jeito que escolheu sua própria vida. Sentimos falta dele desde já, mas estamos contentes de compartilharmos isso com ele enquanto podíamos."

Em setembro de 2011, em entrevista ao North County Times, Montrose revelou que ele não tocou violão por dois anos após seu diagnóstico de câncer. "Eu tive câncer de próstata que foi me debilitando", disse ele. "Eu não sabia o que era tocar um violão por dois anos, mas quando eu percebi que estava vendo a luz da recuperação no fim do túnel e ia viver sem dor, percebi mais uma vez que era um instrumento divertido de tocar."

Ele acrescentou: "Eu bloqueei todos os meus problemas de saúde fora da minha mente. Isso é uma parte da minha vida que terminei."

Ronnie Montrose tocou com músicos como Sammy Hagar, Herbie Hancock, Van Morrison, The Beau Brummels, Boz Scaggs, Beaver & Krause, Gary Wright, Tony Williams, entre outros, além de possuir uma banda própria e tocar na banda Gamma.

Fonte: Whiplash

Em Santiago, Roger Waters recria "The Wall" pela 1ª vez a céu aberto e impressiona com efeitos audiovisuais

O céu é o limite para Roger Waters. Pela primeira vez, na noite desta sexta-feira (2), a nova versão do grandioso espetáculo "The Wall - Live" foi recriada ao ar livre. Sob um céu estrelado e uma lua brilhante no Estadio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago do Chile, dezenas de blocos de papelão branco formaram a imensa muralha idealizada pelo baixista e arquiteto sonoro do Pink Floyd no início da década de 1980. Hoje, no entanto, há muito mais para ver e ouvir na parede que Waters levanta e que chega ao Brasil no próximo dia 25 em uma excursão por três capitais.

Há três décadas, o espetáculo era uma síntese da vida do músico em seus 30 e poucos anos. Entravam em cena o sofrimento pela perda do pai na 2ª Guerra Mundial, a decepção com a infidelidade da mulher e o casamento fracassado, a raiva pelo sistema rígido das escolas inglesas, a superproteção da mãe.

Agora, em seus quase 70 anos, Waters fez daquela concepção autobiográfica um show essencialmente político --a começar pelas canções de cunho social que antecederam o início do show nas caixas de som do estádio ("Imagine", de John Lennon; "Strange Fruit", com Billie Holliday; "People Get Ready", de Curtis Mayfield). Sem alterar música ou letra, os significados pessoais amplificaram-se em mensagens globais sobre conflitos contemporâneos, terrorismo, pobreza, capitalismo, opressão, autoritarismo e as guerras.

Não à toa, Waters dedicou seu primeiro show em Santiago à memória do cantor chileno Víctor Jara, assassinado pela ditadura militar de Augusto Pinochet em 1973, e ao padre anglo-chileno Michael Woodward. Ele ainda se manifestou a favor dos protestos sociais que têm ocorrido na região de Aysén, no sul do Chile, para exigir o fim do isolamento e da falta de políticas públicas para o desenvolvimento da região, e reiterou seu apoio às manifestações estudantis pela educação pública.

O repertório do show é o mesmo impresso no encarte do disco "The Wall" (1979), dividido em dois atos com um intervalo de 20 minutos. De "In the Flesh?", quando o muro ainda está semi-construído, até "Goodbye Cruel World", quando a banda se esconde atrás da muralha, e do recomeço com "Hey You" ao encerramento folk de "Outside The Wall", quando o muro finalmente cai (e chega a ser assustador, acredite!), uma enxurrada de detalhes e informações permeam o cenário. Há militares fascistas atirando um boneco no chão, aviões bombardeando foices, martelos, cifrões e símbolos de marcas poderosas, mulheres nuas e sedutoras, críticas ao poder, gigantescos bonecos infláveis e as animações assustadoras de Gerald Scarfe, enquanto operários sobem e descem tijolos como um corpo de balé.

O clássico "Another Brick In The Wall - Part 2", escrita como um protesto contra o ensino rígido dos internatos, levou 16 crianças chilenas ao palco para dar voz ao coro ameaçador de "hey, teacher, leave them kids alone", enquanto apontavam o dedo para o enorme fantoche inflável que representa o temido professor. Soldados e cívis americanos, britânicos, iranianos, libaneses mortos em guerras foram lembrados em fotos --enviadas por familiares-- nos blocos da muralha. Jean Charles de Menezes, o jovem brasileiro assassinado pela polícia no metrô de Londres em 2005, ganhou uma homenagem especial com Waters cantando "Another Brick In The Wall - Part 2" apenas no violão.
Impacto de cinema Imax
Enquanto seus ex-companheiros do Pink Floyd não recebem qualquer menção no show, o protagonista do espetáculo é acompanhado por uma outra banda de 11 músicos, ainda que a experiência visual seja mais interessante e novidade do que a musical. Quando não está no microfone, Waters deixa os vocais para o cantor Robbie Wyckoff, responsável por repassar o canto originalmente gravado por David Gilmour --por sinal, o integrante postiço mais aplaudido pelas cerca de 40 mil pessoas que estavam neste show.

O guitarrista Snowy White, que fez parte do elenco de apoio na turnê original, também está lá. De cima do muro, Dave Kilminster tem a árdua responsabilidade de representar Gilmour nas guitarras de "Comfortably Numb", mas faz de forma brilhante. O filho de Waters, Harry, assume os pianos discretamente. O tecladista Jon Carin, o baterista Graham Broad, o guitarrista G.E. Smith e os backing vocals Jon Joyce, Mark, Pat e Kipp Lenon completam o time.

A extravagante ópera rock de 90 minutos --que passa por Porto Alegre (Estádio Beira-Rio) no dia 25, pelo Rio de Janeiro (Estádio Olímpico João Havelange) no dia 29 e por São Paulo (Estádio do Morumbi) nos dias 1º e 3 de abril-- é uma experiência sensorial. Os efeitos sonoros são realistas demais para você não olhar para o alto à procura do helicóptero que ressoa por todos os lados nos altos falantes. O gigantesco muro erguido recebe projeções de ultra definição do início ao fim.

O impacto do audiovisual de "The Wall - Live", que posiciona a maior parte do público sentado nas cadeiras da pista premium ou nas arquibancadas, é o mesmo de estar em uma sala de cinema Imax, mas a céu aberto. Roger Waters parece bem à vontade como performer e, graças aos avanços da tecnologia, finalmente pôde deixar sua megalomania se exercitar. (*A repórter viajou a convite da Time For Fun)




ROGER WATERS EM PORTO ALEGRE

Quando: 25 de março de 2012
Onde: Estádio Beira Rio
Quanto: R$ 180 (cadeira descoberta), R$ 240 (pista), R$ 240 (anel inferior), R$ 280 (cadeira coberta), R$ 500 (pista prime)
Ingressos: www.ticketsforfun.com.br, 4003-5588, nos pontos de venda autorizados e na loja Multisom.

ROGER WATERS NO RIO DE JANEIRO

Quando: 29 de março de 2012
Onde: Engenhão
Quanto: R$ 180 (superior oeste), R$ 180 (superior leste), R$ 250 (pista), R$ 300 (inferior oeste), R$ 300 (inferior leste), R$ 600 (pista prime)
Ingressos: www.ticketsforfun.com.br, 4003-5588, nos pontos de venda autorizados e na bilheteria oficial, no Citibank Hall/RJ.

ROGER WATERS EM SÃO PAULO EM 1 e 3 DE ABRIL

Onde: Estádio do Morumbi
Quanto: de R$ 180 (PNEs) a R$ 900 (setor prime)
Ingressos: www.ticketsforfun.com.br, 4003-5588, nos pontos de venda autorizados e na bilheteria oficial, no Citibank Hall/SP.

ROGER WATERS EM SÃO PAULO EM 1º DE ABRIL

Onde: Estádio do Morumbi
Quanto: de R$ 180 (PNEs) a R$ 600 (setor prime)
Ingressos: www.ticketsforfun.com.br, 4003-5588, nos pontos de venda autorizados e na bilheteria oficial, no Citibank Hall/SP.